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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Democracia em Preto e Branco (2014)

O documentário conta a história do movimento que teve seu ápice em 1982, quando Sócrates, o intelectual, Wladimir, o representante dos trabalhadores e Casagrande, o jovem rebelde, marcaram o que foi chamado por Washington Olivetto, de ‘Democracia Corinthiana’. Futebol, política e rock and roll eram os pilares do grupo que contribuiu, ao lado de nomes como Lula e Fernando Henrique Cardoso, no difícil processo de redemocratização do Brasil após o período da ditadura militar. O lema, ‘Ganhar ou perder, mas sempre com Democracia’, que foi estampado em uma faixa levada pelo time na final do Campeonato Paulista de 1983, vencida diante do São Paulo, mostrava a maneira como os jogadores definiam questões relativas ao time, sempre com a participação de todos. O filme, dirigido por Pedro Asberg, vem em boa hora, para lembrar aqueles que bradam pela volta da ditadura, o quanto foi árduo lutar pelo direito, que hoje parece singelo, de poder votar no presidente do país. 


“Ela” representa o futuro da relação amorosa


O filme “O Exterminador do Futuro”, com sua história de máquinas que passam a ter consciência própria e decidem tomar o poder dos humanos, seus criadores, apresentou uma visão cataclísmica da relação entre o homem e a tecnologia e, apesar de mais violenta, não diferente do que é apresentado pelo filme “Ela” (Her), dirigido e produzido por Spike Jonze.
O longa, que concorre ao prêmio de melhor filme da academia este ano, mostra de maneira delicada algumas das possibilidades que podem estar presentes nas relações sociais no futuro. No roteiro, muito bem elaborado por Jonze e magistralmente interpretado por Joaquin Phoenix, um homem, com seus 35 anos se apaixona por um sistema operacional (SO), que nada mais é do que um programa de computador desenvolvido para minimizar a solidão trazida pela sociedade moderna.
Samantha, nome pelo qual a amante virtual decide ela mesma ser chamada, é interpretada pela voz sexy e suave de Scarlett Johansson, que após ser ‘inicializada’ começa a desenvolver personalidade própria por meio das experiências vividas junto ao seu amante, Theodore (interpretado por Phoenix). A história mostra os belos momentos românticos vividos pelo casal, mas que logo passam a sofrer com o sentimento de inferioridade que ela passa a desenvolver por não possuir, de fato, um corpo físico.
No ambiente que se passa em um futuro próximo e nitidamente inspirado no visual colorido e ‘moderno’ dos anos 1970, os outros personagens que interagem como casal demonstram em alguns casos uma opinião crítica em relação ao relacionamento entre um homem e um programa de computador, mas muitas vezes tratam a questão com naturalidade, pois vivenciam em suas próprias vidas situações semelhantes àquelas experimentadas pelo casal protagonista.

Apesar de o romance entre os dois continuar como o eixo central da história até a sua conclusão, muito bem ilustrado pela trilha sonora produzida pela banda americana Arcade Fire, um final surpreendente mostra a mudança radical de Samantha, que se desenvolve muito além do plano físico ao qual seu amante Theo permanecerá preso por toda a sua existência.